O surgimento do Krav Magá foi o resultado natural da fusão de duas histórias, a história de Imi e a história do Estado de Israel. A visão, capacidade e comprometimento de um líder nato, em um cenário de guerra povoado pelos seus que sofriam e lutavam por suas vidas; minoria cercada de inimigos, que teimavam em continuar a lutar, continuar a sobreviver.
Desde muito pequeno, no âmbito familiar, aprendeu a importância de ser atuante na sociedade. Seu pai, policial dedicado, instrutor de combate da polícia secreta, não media esforços para realizar sua missão, tendo sido condecorado por ser o inspetor que mais efetuou prisões em seu país. A definição de certo e errado, o dever e o prazer de ajudar ao próximo foram valores básicos para sua formação.
Como esportista, buscava superar os limites de seu corpo; como lutador, concluía que as técnicas de defesa e combate que existiam não atendiam às necessidades das ruas. Técnicas de academias ou ringues de competições de nada valiam em situação real de confronto.
Muitas vezes, acompanhando seu pai no trabalho como instrutor de combate, sugeria um movimento um pouco diferente, acrescentando um detalhe aqui, outro ali; sempre ouvido por seu pai que testava suas sugestões. Os resultados destas pequenas sugestões tornaram-se evidentes no dia a dia do trabalho da policia, aumentando a eficiência e diminuindo riscos. Os movimentos tornaram-se mais curtos e instintivos e o tempo para preparar um agente para operar em batalha real, diminuiu.
Nos anos 30, com o fascismo e nazismo crescendo na Europa, as ruas se tornavam cada vez mais violentas, e a vida tinha de ser defendida em confrontos sangrentos quase diariamente, enfrentando dezenas de inimigos ao mesmo tempo, muitas vezes sozinho, degustando a realidade onde muitos se feriam, muitos morriam; poucos sobreviviam. Tornou-se líder de grupos de resistência que tinham como arma apenas o próprio corpo, e como combustível, a teimosia em não ser abatido.
O Oriente Médio nos anos 40 era dominado pelo mandato britânico, que estabelecia regras claras e duras, usando de força para controlar a região, e manipulando os grupos que ali viviam, provocando discórdia entre eles. Os ingleses proibiam a posse ou uso de qualquer tipo de arma dentro do território, na época denominada Palestina. A violência era imperante, principalmente devida à ação dos fedainim, que saqueavam, estupravam e matavam com requintes de crueldade, à população local e aqueles recém chegados da Europa, que conseguiram escapar da Europa nazista e novamente se encontravam em posição de dominados e alvos indefesos de violência desta época tão perturbada da história da humanidade. Vários grupos se organizaram para a defesa da população; sem armas, sem contingente, mas com bravura. Este é o cenário encontrado por Imi na sua chegada a Israel, que então já acumulava anos de experiência em batalhas. Esta experiência o colocou diante à missão de preparar os grupos de defesa em pouco tempo para enfrentar inimigos bem armados e numerosos, garantindo a sobrevivência de um povo sofrido, desgastado, mas disposto a lutar. Em termos de batalha, Imi já tinha vivenciado de tudo, desde às técnicas experimentadas em sua juventude, as técnicas ensinadas por seu pai utilizadas pela polícia secreta de seu país de origem, os confrontos contra os nazistas na Europa, as guerras travadas junto ao exército britânico...Seu conhecimento era baseado em realidade de vida e morte, sem a proteção de regras. Sabia o que não funcionava na prática e, aos poucos, considerando os movimentos naturais e instintivos de seu corpo, procurou aproveitá-los em técnicas de defesa, tornando-os mais rápidos, simples e curtos. Este princípio foi a característica diferencial que garantiu a eficiência do método em campos de batalha.
O desafio assumido foi bem sucedido; o povo sobreviveu, conquistou a independência, construiu um país, defendeu-se de todas as tentativas de conquista; mesmo cercado de inimigos, mesmo contra ameaças terroristas, o mal do novo século. O Tzahal, Forças de Defesa de Israel, é mundialmente reconhecido por seus resultados, tendo iniciado sua história nos grupos de defesa treinados por Imi, que, até seus últimos dias, foi assessor e conselheiro desta potente instituição militar.